Revista O Grito!

Papo de Quadrinho — O Grito! Blogs – Quadrinhos

Encontro de Colecionadores de Funko Pop acontece no dia 24, em São Paulo

Mais novo evento em São Paulo para venda e troca de colecionáveis, o Pop! Fest chega à 5ª edição no dia 24 de agosto, no Centro Comercial Jabaquara.

Com foco em bonecos Pop, da Funko, o encontro vem se ampliando a cada edição para oferecer outros tipos de colecionáveis. São mais de 40 expositores de Pops, figuras de ação, camisetas, canecas, cenários, estátuas, expositores, miniaturas, modelos customizados e até serviço de reparação feito na hora.

A entrada é gratuita, há uma área para trocas entre colecionadores e ainda rolam sorteios de itens oferecidos pelos expositores. Os Pops e outros colecionáveis são oferecidos a preços bem abaixo dos praticados pelas lojas especializadas e é possível encontrar alguns itens bem raros.

Nos últimos anos, vem crescendo a procura dos colecionadores pelos Pops em função de seu formato diferenciado, a enorme variedade de personagens licenciados de filmes, séries, quadrinhos e bandas de música, e o preço acessível em comparação com outros colecionáveis: um Pop regular custa cerca de US$ 10 dólares nos Estados Unidos e pode ser encontrado no evento numa média de R$ 65, fora as promoções.

SERVIÇO

Pop! Fest – 5º Encontro de Colecionadores Funko Pop e Afins

Data: 24 de agosto

Horário: das 10h às 16h

Local: Centro Comercial Jabaquara (Rua dos Buritis, 54/90 – Jabaquara – São Paulo) – a 500 metros da estação Jabaquara do Metrô

Estacionamento no local (pago)

Entrada gratuita, censura livre

Mais informações: popfest.eventos@gmail.com

Papo de Quadrinho leu: O Guardião Centauro

O Papo de Quadrinho nunca ficou preso apenas em resenhas de gibis e mangás. Depois de focar esforços em filmes e séries nós voltamos com força total a publicar resenhas de livros neste espaço. A ideia é poder falar com mais abrangência e propriedade de algumas obras que chamaram nossa atenção, um trabalho que é impossível em redes mais visuais ou objetivas como nosso twitter e nosso instagram. Também é um trabalho que demanda tempo e análise, por isso a dificuldade em resenhar livros com grande rapidez.

Nosso intuito é ampliar o espaço de divulgação de produtos da cultura pop como um serviço de indicação e diversão para nossos leitores. Como é habitual neste espaço, não vamos nos deter em produtos que achamos abaixo da crítica, apenas para dizer que é ruim, polemizar e atrair visualizações através de haterismo. Pedimos desculpas, mas a vida é curta para perder tempo se detendo em coisas que não gostamos e não recomendamos. E de todo modo, já tem muito canal na internet especializado em polemizar.

Esperamos que nossos leitores curtam, divulguem e claro, o mais importante, leiam nossas resenhas escritas.

A literatura infanto-juvenil nacional já produziu bons livros que influenciaram e marcaram a vida de muitos jovens leitores. Embora ainda tenhamos de modo geral um conservadorismo no modelo de ensino de literatura – que infelizmente cria mais ex-leitores do que leitores – existe um movimento de educadores que trabalha com uma perspectiva mais adequada, pensando na leitura como uma oportunidade de divertir e estimular os jovens, com histórias ágeis, divertidas, conectadas com a realidade atual e com tramas que se passam em nosso país. Aqui se encaixa O Centauro Guardião (Panda Books) do escritor gaúcho Christian  David, com uma história de aventura e fantasia, leve, mas sem subestimar a inteligência dos jovens.

O palco destes acontecimentos extraordinários é a cidade do escritor, Porto Alegre, e a trama leva os personagens por diferentes cartões postais da cidade, relacionando-as à busca por artefatos mágicos, capazes de mudar o rumo da humanidade.

A história é divertida, narrada de forma clara e bem escrita. Trata dos acontecimentos fantásticos que mudarão a vida dos irmãos Clarice e Gustavo, dois jovens do interior que vão para Porto Alegre para terminarem o ensino médio e são envolvidos em uma disputa entre duas antigas ordens secretas por artefatos mágicos de poder descomunal e incerto. Um grupo ancestral, Os Centauros, planeja neutralizar o poder destes artefatos assim que os encontrar; mas o grupo rival, Os Minotauros, quer tomar posse dos artefatos com intuito de usá-los para seus próprios propósitos. O problema é que além da procura pelos artefatos perdidos, não está claro os interesses reais de alguns dos envolvidos. Os irmãos se unem aos Centauros, mas aos poucos, precisarão aprender sobre os artefatos e sobre si mesmos para serem capazes de salvar a humanidade.

A forma como os personagens são apresentados, cada um com suas motivações e temperamentos, vão trazendo sutilmente algumas questões sobre a responsabilidade da vida adulta nesta passagem da adolescência, com medos e descobertas. Tudo como pano de fundo, de modo leve e sem pesar a mão. A apresentação de algumas lendas da cidade, incorporadas na história, são outro acerto da trama, porque é feita de forma orgânica.

O desfecho é muito comedido. Talvez um final grandioso – dado os poderes envolvidos – ficasse mais interessante.

A edição da Panda Books está bonita, com capa e ilustrações internas do artista Leblu. Chama a atenção na capa o selo “Minha Biblioteca 2018” do programa de livros que a prefeitura de São Paulo criou para distribuir livros entre as escolas municipais de São Paulo. O Centauro Guardião é um dos 70 títulos contemplados, um livro de qualidade que terá a  chance de circular nas mãos de alunos que correspondem à faixa etária leitora.

Papo de Quadrinho viu Homem-Aranha: Longe de Casa

A convite da produtora Espaço Z, nosso editor conferiu o novo filme do Homem-Aranha. Em respeito aos nossos leitores, trazemos uma resenha sem spoilers.

Estreia nesta quinta-feira (4/07) o esperado Homem-Aranha: Longe de Casa, com uma missão digna do maior herói da Marvel: manter o interesse do público após o hype dos Vingadores: Ultimato.

O trabalho do diretor Jon Watts foi duplo: contar uma boa história para um publico fã do Cabeça de Teia e conseguir encaixá-la nos eventos que ocorreram após o último filme e, ainda, encerrar a chamada Fase 3 do Universo Cinematográfico da Marvel.

Uma missão que ele conclui com louvor, graças a uma trama bem integrada aos eventos do MCU e, ao mesmo tempo, empolgante e divertida.

Tudo começa após os eventos que marcaram o retorno à vida de metade da população mundial morta por Thanos em Vingadores: Guerra Infinita e trazida de volta pelo Hulk em Ultimato. O jovem Peter Parker (Tom Holland) segue com sua turma do colégio para uma viagem de duas semanas pela Europa e é surpreendido pela visita de Nick Fury (Samuel L. Jackson).

O ex-chefão da S.H.I.E.L.D. convoca o Homem-Aranha para uma missão urgente: enfrentar criaturas que surgem em cidades-símbolo do Velho Mundo. Para isso, ele vai contar com o auxílio do herói enigmático chamado por sua turma de Mysterio (Jake Gyllenhaal).

Mas como ele vai salvar a Europa desta ameaça e ao mesmo tempo manter sua identidade secreta preservada? E o mais importante: como pretende salvar o mundo se tudo o que ele quer no momento é largar suas obrigações super-heroicas para curtir merecidas férias e se aproximar da crush MJ (Zendaya)?

Esse é o principal acerto do filme: uma fórmula equilibrada que mistura uma boa aventura divertida, com a atuação carismática do trio de atores principais, Tom Holland, Jake Gyllenhaal e Zendaya, sem perder a mão nos detalhes da história.

Homem-Aranha: longe de casa, funciona porque entrega uma diversão completa, começando com a pergunta que todos querem saber sobre o retorno das pessoas salvas pelos Vingadores, passando por uma reviravolta já manjada – uma vez que Mistério é um dos vilões mais famosos do panteão vilanesco do Homem-Aranha.

Ainda assim, muitos conceitos interessantes são retratados, como a ideia de um multiverso que abre possibilidades para o futuro (lembrando que os direitos do Homem-Aranha nos cinemas é de propriedade da Sony, assim como o Venon), porém sem dar grandes pistas de qual será o andamento dos próximos filmes ainda conectados ao universo dos Vingadores.

Por hora, os fãs do Aranha, tanto dos filmes como dos quadrinhos, podem se regojizar com o herói carismático que todos gostamos: um adolescente atrapalhado, nerd, apaixonado pega garota bacana da escola e bem intencionado, que precisa entender seu papel heroico no mundo pós-Vingadores e lidar com o luto pela morte de seu mentor Tony Stark (Robert Downey Jr.).

Impressionam também os efeitos especiais do filme, principalmente por tratar de elementos como água e fogo em grandes centros urbanos, apresentados em situações que se passam durante o dia. A ação do filme é pura história em quadrinhos, com um enquadramento que as vezes coloca a audiência diretamente na pele do herói e no centro da ação, algo extremamente bacana de ver em uma tela grande.

Homem-Aranha: longe de casa é o tipo de filme que a gente sai comentando, surpreso com os desdobramentos finais e feliz ao mesmo tempo. Um bom retorno do MCU depois de tantas emoções recentes que, embora não possam ser superadas tão facilmente, mostram que ainda há espaço para bons filmes de super-heróis.

Em tempo: fique na sala até o último instante para curtir as surpresas do final do filme e da cena pós-crédito.

Papo de quadrinho viu: MIB Homens (e mulheres) de Preto: Internacional

A convite da produtora Espaço Z nosso editor acompanhou ‘“MIB Homens de Preto: Internacional”’, novo longa que apresenta uma nova fase da franquia. Em respeito aos nossos leitores nossa resenha NÃO TEM SPOILERS.

Nos anos 1990, período em que as teorias da conspiração não governavam um país e estavam restritas à imaginação, tablóides e a diversão especulativa, o roteirista Lowell Cunningham trouxe para os quadrinhos uma agência para cuidar de visitantes interplanetários, os “Homens de Preto” (Man in black ou sua sigla: MIB).Inspirado em uma das mais tradicionais teorias da conspiração de ufologistas, envolvendo alienígenas, naves e invasões da Terra, os “Homens de Preto” (Man in black – MIB) são agentes vestidos com ternos pretos (ufa!) e óculos escuros que aparecem para resolver casos de contatos imediatos – que não serão divulgados oficialmente.

A agência na verdade licencia, monitora e policia a atividade alienígena neste pálido ponto azul, protegendo a todos de maneiras que seus cidadãos não podem imaginar (e nunca saberão), além de se encarregar do processamento das chegadas de alienígenas como imigrantes refugiados. Carregando armas de alta tecnologia construídas com a ajuda da tecnologia interplanetária, sua ferramenta mais útil é o cultuado neuralizador, um dispositivo em forma de caneta que emite um feixe de luz que apaga a memória daqueles que tiveram contato com alienígenas, mantendo a existência secreta da MIB como apenas um rumor, reconhecida apenas como um déjà vu e descartada com a mesma rapidez.

A criação de Cunningham foi levada aos cinemas em MIB (1997) que um pouco diferente dos quadrinhos, misturou comédia com ficção-científica. Capitaneados por  pelos atores Tommy Lee Jones e Will Smith, o filme fez um grande sucesso, levou o Oscar de Melhor Maquiagem e ainda gerou duas sequencias: MIB II (2002) e MIB³ (2012).

Eis que estreia amanhã (13) o novo filme expandindo a franquia com locações por toda a planície da Terra. A premissa dos filmes anteriores permanece: existem alienígenas de outros mundos vivendo entre nós. Assim, MIB Homens de Preto: Internacional apresenta novos agentes, armas, alienígenas e locações.

Desta vez temos o Agente H (Chris Hemsworth) e a novata M (Tessa Thompson) que se tornam parceiros e tem o trabalho de enfrentar uma nova ameaça alienígena que pode tomar a forma de qualquer um, incluindo agentes da MIB. Os atores Liam Neeson, Rebecca Ferguson e Kumail Nanjiani também aparecem em papéis-chaves.

O diretor F. Gary Gray, cuja filmografia abrange títulos de ação (Velozes e Furiosos 8), comédias (Sexta-Feira em Apuros) e dramas (Straight Outta Compton: A História do N.W.A.), se manteve fiel ao misto de aventura, sci-fi e comédia da franquia.

A trama se apresenta uma menina chamada Molly, que, juntamente com seus pais, teve um contato imediato. Ela evita o neuralizador da MIB que apaga a memória dos pais  e fica obcecada em descobrir a verdade sobre os alienígenas na Terra e sobre os misteriosos homens vestidos de preto que a visitaram pouco depois daquele encontro que mudou sua vida. Empregando todo seu tempo disponível e buscando respostas, anos depois, Molly descobre a sede da MIB em Nova York. Impressionada com a inteligência e as habilidades investigativas de Molly, que a levaram a se tornar a única pessoa a conseguir invadir a MIB sem ser convidada, a Agente O (Emma Thompson) a transforma em uma agente, atribuindo-lhe uma nova identidade: M.

Ainda como uma agente em estágio propatório, M é enviada para a sede de Londres e acabam se envolvendo em uma trama com H (Chris Hemsworth), um agente lendário com um ar de arrogância, reconhecido por já ter salvado o mundo armado apenas com sua astúcia e seu De-Atomizador. Mas a autoconfiança excessiva de H pode permitir que uma raça assassina tome posse de um artefato capaz de acabar com a paz da Terra e colocar em perigo toda a galáxia.

O filme tem uma trama simples, porém divertida e bons momentos de aventura e comédia (fruto da produção executiva de Steven Spielberg). As locações chamam a atenção por levarem o espectador por lugares legais em Londres, Paris, Nápoles e Marrakesh, tudo bem amarrado com bons efeitos especiais.

Tessa Thompson além de bonita sobra com boa atuação, enquanto Chris Hemsworth é aquele canastrão que apredemos a gostar em Thor e Vingadores – desnecessário lembrar que ambos trabalharam juntos no MCU (Universo cinematográfico da Marvel).

É um bom filme para ver com a família e se divetir. Ao mesmo tempo é um quarto filme cuja continuação mantém um legado que atraiu tantos fãs ao cinema. O que faltou foi uma trilha ou música marcante como os filmes anteriores.

E não podemos esquecer  que o comediante brasileiro Sérgio Mallandro faz uma ponta bastante inusitada no filme. Confira no cinema mais próximo, antes que a Terra acabe.

Papo de Quadrinho viu: X-men – Fênix Negra

A convite da produtora Espaço Z e Sony Pictures, nosso jornalista Andrey Czerwinski dos Santos assistiu X-men – Fênix Negra, última aventura dos mutantes pelas mãos da Fox.

A franquia dos mutantes pelas mãos da Fox termina no mais recente filme X-Men: Fênix Negra, que entra em cartaz nesta quinta feira (6) nos cinemas. O filme, que mais uma vez traz às telas a transformação de Jean Grey na Fênix é o ato final de uma sequência de filmes do supergrupo mutante que começou em 2000 e passou por pontos altos (X-Men 2, Logan) e algumas bombas (X-Men 3: O confronto final) e teve até mesmo um reboot (X-Men: Primeira Classe de 2011).

Dirigido e roteirizado por Simon Kinberg, a história se inicia em forma de flashback, contando a história de Jean Grey (a atriz Sophie Turner, a “Sansa Stark”, de Game of Thrones), que ao passar por um trauma de infância acaba sendo convidada pelo Professor Charles Xavier a se unir aos X-Men na sua escola para superdotados.

Anos depois, em 1992, os X-Men são considerados heróis nacionais. Durante uma missão de resgate de astronautas, que coloca a equipe em perigo no espaço, Jean Grey acaba utilizando seus poderes para salvar todos de uma explosão solar. Porém esse fato acaba alterando os poderes e emoções da telepata que acaba se tornando uma ameaça para seus companheiros e para o planeta à medida que essa recém adquirida força Fênix vai emergindo sem controle através dela.

Em relação às participações do longa temos Mística (Jennifer Lawrence), visivelmente cansada do papel, fazendo o link racional da equipe; Charles Xavier (James Mcavoy) , como o mentor da equipe, que durante o enredo se deixa levar pelo ego e mostra que mesmo os mais experientes podem errar; Ciclope (Tye Sheridan), o mutante de rajadas óticas e namorado de Jean,  além do teletransportador Noturno (Kodi Smit-McPhee), o velocista Mercúrio (Evan Peters), a deusa do clima Tempestade/Ororo (Alexandra Shipp) e o acrobata azul Fera/Hank McCoy (Nicholas Hoult). A trama também conta com a participação de Magneto (Michael Fassbender) e sua irmandade de mutantes, além de Jessica Chastain como uma alienígena que busca a força Fênix, num papel praticamente sem carisma algum e com uma motivação clichê.

Entre altos e baixos do filme, um destaque fica para a trilha grandiosa e competente de Hans Zimmer (Homem de Aço), que consegue segurar o enredo, principalmente da segunda metade da história.

De forma geral, o filme procura trazer questões contidas nos quadrinhos, como a batalha interna de Jean com as tentações da força Fênix e sua relação familiar com a equipe de mutantes. As semelhanças com a saga dos gibis terminam aí (com exceção da breve aparição de uma cantora mutante), ou seja, nada de Clube do Inferno, Mestre Mental ou Shiars. Num primeiro momento isso pode decepcionar os fãs da franquia, que desde o fadado X-Men: O Confronto Final (2006) ficaram na promessa de uma adaptação à altura dessa fase dos mutantes.

Parece impossível, talvez inviável, que uma adaptação cinematográfica de duas horas seja 100% fidedigna à trama original dos quadrinhos. Vale lembrar que a série animada do início dos anos 1990 conseguiu fazer isso usando quase uma temporada completa, mas lembremos: é uma série animada.

Ainda assim, detalhes bacanas que fazem dessa saga algo especial foram limados, tirando a grandiosidade que existe no original. Por essas e outras,  X-Men: Fênix Negra, acaba deixando a desejar no quesito adaptação – simplifica demais a trama – deixando um final agridoce e uma sensação de que “faltou algo a mais” para consagrar a franquia dos mutantes nos cinemas.

Nosso veredito é que para o espectador que busca um cinema pipoca de super-heróis mutantes sem grandes pretensões, o filme cai bem, tentando passar uma mensagem bacana sobre o conceito de uma família adotiva e de como essas relações se dão entre os X-Men. Já quem é muito fã da franquia X, principalmente os iniciado nos quadrinhos, talvez se frustre ao notar que a tentativa de trazer a “Saga da Fênix Negra” em toda sua grandeza para os cinemas não tenha sido bem sucedida.  São mídias diferentes, mas o gostinho de quero mais permanece. Quem sabe, futuramente, seja um trabalho para a Disney resolver?

Uma dica final: a revista Mundo dos Super-heróis deste mês se debruça sobre o filme e faz uma comparação sobre a adaptação, relembrando os grandes momentos dos quadrinhos e falando detalhes do filme para quem não está tão familiarizado com os quadrinhos.

Papo de Quadrinho viu: Brightburn – Filho das Trevas


A convite da produtora Espaço Z e Sony Pictures, nosso jornalista Andrey Czerwinski dos Santos assistiu Brightburn – Filho das Trevas, que une superpoderes e terror à mais mitológica origem de um super-herói nos quadrinhos.

A história da origem do Superman já é um marco na cultura popular, quando uma nave caiu na Terra trazendo um bebê e foi encontrada pelo casal de fazendeiros Jonathan Kent e Martha Kent. O casal cria a criança como seu filho adotivo, Clark Kent, que mais tarde viria a ser herói que todos conhecemos: como gentil, generoso, nobre, incorruptível, praticamente um escoteiro gentil, altruísta e um símbolo da “verdade, justiça”, sendo tudo o que aspiramos ser e muito mais. Com poderes como superforça, invulnerabilidade, voo, visão de calor, entre outros frutos da sua natureza biológica, sua personalidade e humanidade são consequência da criação.

Mas e se as coisas fossem um pouco diferentes? E se o rapaz tivesse crescido com um sentimento de superioridade sobre o restante da humanidade, egoísta e achando que poderia escravizar todos? Esse é o mote de Brightburn – Filho das Trevas, do diretor David Yerovesky.

O filme aborda praticamente a mesma origem do Superman, em que Brandon Breyer (o Clark Kent desse universo) é criado por Kylie Brayere (David Denman) e Tori Brayer (Elizabeth Banks),  réplicas exatas dos carinhosos e cuidadosos Kent, depois de ser encontrado em uma nave espacial. Ele vai descobrindo seus superpoderes à medida que cresce, porém ao invés de um comportamento bom, o rapaz se torna um assassino frio e maléfico.

O que causa essa grande mudança? É nesse ponto que os escritores Brian e Mark Gunn (irmãos do diretor e roteirista James Gunn, de Guardiões da Galáxia, que participa como produtor da película) erram a mão. Deslocando o filme do que poderia ser uma ótima apresentação de conflito psicológico entre “natureza versus criação”, os roteiristas decidem tornar o filme mais simplista ao conectar a brusca persona maléfica de Brandon à uma possessão por sua nave espacial. A partir desse ponto, o personagem vira uma máquina de matar que utiliza seus superpoderes elimina todos que se atrevem a contrariar seus passos.

Apesar do enredo pender para um filme de terror genérico no estilo “slash movies” temperado com superpoderes, o diretor David Yarvesky merece créditos pela brutalidade explícita das cenas de morte, que poderão atrair os fãs do gore. As cenas em que a mandíbula de uma das vítimas fica pendurada ou em que um caco de vidro é retirado de dentro do olho são de deixar os nervos à flor da pele. Entretanto as emoções param aí…

As interpretações são benfeitas e um dos pontos positivos do filme, com Jackson A. Dunn (que interpretou o jovem Scott Lang em Vingadores: Ultimato) retratando um Brandon Beyer assustador e misterioso, até mesmo quando o personagem ainda é “bom”. Elizabeth Banks e David Denman são o ponto forte do filme como o casal Breyer, representando de forma sólida os encantadores pais de família que aos poucos vão se dando conta do perigo que têm dentro de casa.

Outro destaque é a trilha sonora nos momentos mãe-filho do filme. Composta por Tim Williams, a música remete e emula o tema criado por Hans Zimmer para o filme Superman: Man of Steel (2013). Praticamente um easter-egg para os fãs do Homem de Aço.

Uma pena que, ao tentar apresentar o lado sombrio de uma origem alternativa do Superman, a película peca ao não se aprofundar numa discussão moral e cai no clichê de filmes de terror convencionais de assassinos, em que o que mais vale são as cenas de morte, o suspense passageiro e os momentos gore.

A sensação ao sair do cinema foi de mais um filme de terror genérico, deixando o telespectador que buscava um paralelo maligno à origem do Superman com vontade de algo mais.

Papo de Quadrinho viu: John Wick 3 – Parabellum

A convite da produtora Espaço Z nosso editor acompanhou ‘John Wick 3 – Parabellum’, novo longa da franquia. Em respeito aos nossos leitores nossa resenha NÃO TEM SPOILERS

“Si vis pacem, para bellum (Se você quer paz, prepare-se para a guerra).

O primeiro John Wick era apenas um sonho do roteirista Derek Kolstad que pretendia criar um passeio através de um universo cativante, perigoso e sangrento, estruturado em suas próprias regras, porém oculto nas sombras da nossa sociedade desde os tempos imemoriais. Esse roteiro atraiu o ator Keanu Reeves, que encarnou o personagem com perfeição e o restante é uma história de sucesso com os filmes: “John Wick – De Volta Ao Jogo” (2014) e “John Wick: Um Novo Dia Para Matar” (2017).
Assim, John Wick se tornou um ícone abraçado por platéias curiosas e empolgadas por ver e saber mais sobre ele e seu universo.

Em ‘Parabellum’ (ou ‘prepare-se para a Guerra’) a história começa exatamente onde John Wick terminou em “Um Novo Dia Para Matar”, com o protagonista fugindo do Hotel Continental, na pulsante Manhattan. Ele quebrou uma das regras fundamentais: matou um poderoso chefe da máfia no espaço neutro e protegido do hotel, o que lhe “excomungou” e rendeu um prêmio substancioso por sua cabeça, algo que aguça a imaginação de todos ao redor do mundo.

É durante sua fuga que sabemos mais sobre The High Table (ou Alta Cúpula dos Assassinos), grupo que não apenas gerencia a morte ao redor do mundo, mas também serve como uma espécie de sistema de justiça, com seus executores dos reinos do crime pelo mundo. Todo esse sistema é mantido graças a um sólido código de honra e uma elite que faz cumprir essa lei.

Aos poucos é revelado mais sobre esse incrível mundo mitológico e hiper-real com hotéis secretos e os homens e mulheres mais perigosos do mundo que o procuram a cada esquina.

Para sobreviver, nosso anti-herói precisa sair de cena e ao voltar às suas origens. É assim que conheceremos mais sobre os mistérios de como John Wick se tornou o assassino “Baba Yaga”.

Reeves faz um personagem brutal e ao mesmo tempo carismático, embora nunca sorria. Sua fuga é marcada por sequencias impressionantes de lutas, mortes, perseguições e tiroteios – tudo emoldurado dentro de uma fotografia minuciosamente bem feita. Há tempos que esse editor se diverte muito mais com os exageros do “wickiverso” do que com as aventuras de um 007.

Por fim, é preciso dizer que embora  seja um filme divertido e conte com um elenco estrelado de grandes atores e atrizes como Ian McShane (Gerente) e Halle Berry (Sofia), a história em si mesma não acrescenta muito ao todo – é apenas mais um capítulo de vingança e morte. Mas pelo menos desta vez, todo os assassinos sabem o que acontecem quando se atira em um cachorro.

O filme estreia nesta quinta-feira (16/05) com uma ação desenfreada, maior até que os filmes antecessores.  O espectador encontrará um Wick ainda mais letal e violento em busca de sua sobrevivência, uma experiência de adrenalina e violência tão bem feita que empolga.

Despretencioso, vale o ingresso e vai agradar aos fãs do genero.

Vingadores: Ultimato – Um épico grandioso e intimista

A Marvel encerrou seu primeiro grande arco de história no cinema de forma épica. Vingadores: Ultimato, que estreia nesta quinta-feira (25), é grandioso e intimista ao mesmo tempo. É tudo que você espera, e mais.

É um filme feito para emocionar, divertir e surpreender, sem abrir mão da origem nos quadrinhos nem deixar de contar uma boa história.

É um filme-homenagem aos 11 anos do estúdio e a todos os 21 filmes que vieram antes.

A trama é conhecida ou pelo menos imaginada pela grande maioria dos fãs: os Vingadores remanescentes precisam encontrar uma forma de desfazer a dizimação causada por Thanos ao final de Guerra Infinita.

Nem por isso, seu desenrolar é óbvio ou previsível. Qualquer pista de como eles levam o plano adiante será um spoiler.

O que dá para dizer é que cada vingador lidou com a dizimação à sua própria maneira e, durante a jornada, cada um deles vai encarar seus próprios fantasmas.

Daí vem a maior carga dramática do filme e também seus momentos mais divertidos. O humor, em escala até menor que em outras produções da Marvel, é mais que orgânico, é cirúrgico.

Vingadores: Ultimato inverte muitas das expectativas, tanto no conjunto quanto no desfecho de cenas específicas.

A Marvel foi extremamente competente em guardar segredo sobre algumas passagens e personagens, e estas surpresas estão entre as melhores coisas do filme.

Desejo de coração que você consiga fugir dos spoilers para viver esta experiência ao máximo.

Sem exagero, Vingadores: Ultimato é um dos melhores filmes de super-heróis de todos os tempos.

Não só pelo filme em si – que, sim, é ótimo –, mas principalmente pelo que ele representa em termos de fechamento de todas as pontas um universo complexo, intrincado e interligado.

Quando começam a subir os créditos, a sensação é que vai demorar outra década para voltarmos a assistir a algo com tamanha magnitude.

Vingadores: Ultimato é aquele gibizão de 300 páginas que você pega para ler numa tarde preguiçosa e não quer que acabe nunca mais.

Um dia no Festival Guia dos Quadrinhos

O Festival Guia dos Quadrinhos comemorou 10 anos de casa nova, o amplo Hakka Plaza, no bairro da Liberdade, em São Paulo (a cinco minutos do metrô São Joaquim). É consenso entre todas as pessoas com quem conversei de que se trata do evento mais “raiz” dos quadrinhos – ou seja, um espaço de excelência para consumidores, colecionadores e fãs da nona arte.

Funciona um contraponto às lotadas Comic Cons, daqui e lá de fora, que têm no entretenimento e no merchandising – notadamente grandes produções para cinema e TV – seu maior atrativo, exceção feita aos chamados “Beco dos Artistas”.

No Festival, ao contrário, os quadrinhos continuam como a estrela principal. É possível comprar HQs autorais do pessoal do circuito independente, edições antigas vendidas por colecionadores e raridades em lojas especializadas como a Comic Hunter, que tem um amplo acervo e pratica preços bem honestos.

Uma das atrações deste ano foi a Culturama, que recentemente assumiu a publicação dos quadrinhos Disney no Brasil. Já de largada, a editora mostrou respeito aos leitores com um tratamento editorial de primeira e proximidade com seu público.

Para coroar estes esforços, a Culturama trouxe para o Festival o roteirista e desenhista italiano Francesco Guerrini para participar de painéis e de sessões de autógrafos.

O artista esbanjou talento e simpatia no estande da editora, que registrava as maiores filas do evento – nada comparado às filas da CCXP, por exemplo. Cada autógrafo vinha acompanhado de uma pequena obra de arte em forma de sketch.

O ambiente meio intimista do Festival Guia dos Quadrinhos é propício para o networking. Em meio às mesas dos artistas, colecionadores e visitantes, sempre tem alguém que você conhece para rever e bater papo.

A programação também é bem bacana, com mesas redondas de profissionais da área, os tradicionais quizz nerds e uma novidade deste ano (até onde me lembro), os leilões de HQs raras.

Colecionadores de action figures não ficam totalmente órfãos e conseguem encontrar lojas e vendedores espalhados em meio à predominância de mesas de gibis. Para os que curtem Funko Pop (como este editor), a Funkomania é uma expositora tradicional do Festival, com peças bacanas e bons preços.

A revista Mundo dos Super-Heróis também está no Festival vendendo suas edições regulares e especiais

Enfim, é muito bom que festivais de quadrinhos com este perfil sobrevivam, e o Edson Diogo está de parabéns por manter a chama acesa.

Para quem é de São Paulo e estiver lendo isto a tempo, o Festival Guia dos Quadrinhos vai até este domingo, 14 de abril, das 10h às 18h, com ingresso a R$ 60 (meia entrada para estudantes e para quem doar pelo menos dois gibis em bom estado para ajudar a formar a gibiteca da Escola Estadual Castro Alves).

SHAZAM! Inspira parceria entre Warner, J. W. Thompson e Associação Maria Helen Drexel

O filme Shazam! conta a história de um menino de 14 anos que cresceu longe dos pais e que se transforma em um super-herói adulto mas com espírito de uma criança e poderes divinos. Com isso em mente a J. Walter Thompson fez uma campanha para incentivar que as pessoas busquem mais informações sobre os jovens que vivem em casas de acolhimento.

Muitas crianças e adolescentes que moram nesses abrigos podem ser apadrinhados afetivamente ou adotados, o que nem sempre é de conhecimento da sociedade brasileira. Este editor só sabia desse modelo de apadrinhamento porque casualmante já tinha conhecidos que faziam esse trabalho incrível que envolve mais que doação em dinheiro, mas também interesse, amor e compaixão. 

Para celebrar esta campanha, a Warner Bros. Pictures apadrinhou simbolicamente 80 crianças de casas de acolhimento por um dia, convidando-as para assistir ao filme Shazam! em uma pré-estreia especial realizada no último sábado, 30 de março, com o apoio do Kinoplex Vila Olímpia (SP), que cedeu a sala e a pipoca e da Piticas, que doou as camisetas para as crianças. Juízes que apoiaram e autorizaram a campanha também estavam presentes.

As peças da campanha foram assinadas com a frase: “os superpoderes eles já têm. Agora só falta o seu apoio”, pois o objetivo da campanha é informar e conscientizar as pessoas por meio das histórias dos jovens. As crianças que vivem em instituições de acolhimento, como a Associação Maria Helen Drexel, convidam você a conhecer os super-heróis da vida real no site da instituição.

Você pode ler nessa resenha do filme Shazam, aqui!

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